quinta-feira, 1 de março de 2007

José da Silva da Margem do Rio.

Retalhei, matei, estuprei, tudo isso sem crueldade, venho agora na frente deste juri dizer com orgulho que para não me meter nas prisões, menti, provei que era psicopata e hoje no juizo final posso apenas dizer que sofri uma grande injustiça, tentei burlar o sistema mascarando minha culpa com uma doença que justificaria todos estes atos, mas já que este é um momento para se falar a verdade, digo e repito, fui vitima de um sistema capitalista selvagem que me impediu desde dos meus primeiros passos a possibilidade de uma de boa educação, do conforto do lar entre outras coisas das quais minhas vítimas desfrutavam com prazer. Fui marginalizado e do momento que não tinha mas nenhum vínculo com a sociedade liberei o que há de mais podre em todos os seres humanos, os instintos animais de sobrevivência. Retalhei para mostrar meu poder, matei para não ser morto e estuprei para sentir o gozo, este mesmo gozo que rege e comanda toda a humanidade para o fim e para o começo.

Catarse

No traveseiro as marcas de quem na noite anterior chorou, no chuveiro as marcas de sangues de quem tentou se matar, na cozinha a faca fora do lugar de quem planejou, no chão um corpo estendido de quem tentou impedir, na plateia o barulho, as palmas de quem por um processo de cartase se apaixonou, sofreu e viu no outro a possibilidade de uma vida melhor.